O QUE É APNEIA DO SONO E POR QUE ELA É UM PROBLEMA
CARDIOVASCULAR?
A apneia obstrutiva do sono é uma condição em que a via aérea
superior se obstrui repetidamente durante o sono, causando pausas na respiração
que podem durar de alguns segundos a mais de um minuto. Cada vez que isso
acontece, o nível de oxigênio no sangue cai, o cérebro aciona um mecanismo de
alerta e o organismo faz um microdespertar para retomar a respiração.
Esse ciclo pode se repetir dezenas ou até centenas de vezes
por noite, sem que a pessoa tenha consciência disso. O resultado é um sono
fragmentado e não restaurador, mas o impacto vai muito além do cansaço.
A cada episódio de apneia, o sistema nervoso simpático é
ativado, a pressão arterial sobe abruptamente e o coração é submetido a um
esforço adicional. Repetido inúmeras vezes por noite, durante meses ou anos,
esse processo contribui diretamente para o desenvolvimento de hipertensão
resistente, arritmias cardíacas e maior risco de infarto.
QUAIS SÃO OS SINTOMAS MAIS COMUNS DA APNEIA DO SONO?
Os sintomas da apneia do sono se dividem entre os que ocorrem
durante a noite e os que aparecem durante o dia:
Sintomas noturnos:
●
Ronco
alto e frequente, muitas vezes relatado pelo parceiro de cama
●
Pausas
na respiração durante o sono, observadas por outra pessoa
●
Engasgos
ou sensação de sufocamento que causam despertares
●
Sono
agitado com muita movimentação
●
Boca
seca ou dor de garganta ao acordar
● Necessidade de urinar várias vezes
durante a noite
Sintomas diurnos:
●
Cansaço
excessivo mesmo após uma noite inteira de sono
●
Sonolência
durante atividades cotidianas como dirigir, trabalhar ou assistir televisão
●
Dificuldade
de concentração e memória
●
Irritabilidade
e mudanças de humor sem motivo aparente
●
Dores
de cabeça pela manhã
● Sensação de que o sono nunca é
suficiente
A presença de múltiplos sintomas desse conjunto,
especialmente associados ao ronco alto, é um sinal claro de que a investigação
para apneia do sono deve ser iniciada.
RONCO ALTO SEMPRE INDICA APNEIA DO SONO?
Nem todo ronco é apneia, mas todo ronco alto e frequente
merece investigação. O ronco simples ocorre quando há vibração dos tecidos da
garganta durante o sono, sem obstrução completa da via aérea. Já na apneia,
essa obstrução é total ou quase total, causando as pausas respiratórias
características.
O ronco associado à apneia costuma ter algumas
características específicas: é muito alto, muitas vezes audível em outros
cômodos, é interrompido por silêncios abruptos que terminam com um engasgo ou
bufido, e retorna de forma intensa logo após.
O parceiro de quarto frequentemente é o primeiro a perceber
esses padrões. Relatos como “você para de respirar enquanto dorme” ou
“você acorda engasgado à noite” são sinais de alerta que devem ser
levados à consulta médica sem demora.
CANSAÇO EXCESSIVO DURANTE O DIA PODE SER SINAL DE PROBLEMA NO
CORAÇÃO?
O cansaço diurno causado pela apneia do sono tem impacto
direto sobre o sistema cardiovascular. Quando o sono não é reparador, o
organismo mantém níveis elevados de hormônios do estresse, como o cortisol e a
adrenalina, que por sua vez elevam a pressão arterial e aumentam a frequência
cardíaca durante o dia.
Além disso, a privação crônica de sono de qualidade está
associada ao aumento da inflamação sistêmica, à resistência à insulina e ao
ganho de peso, todos fatores que agravam o risco cardiovascular.
Na prática clínica em Rondonópolis, o cansaço excessivo
durante o dia é um dos sintomas que mais frequentemente leva à descoberta de
apneia do sono em pacientes que chegam ao consultório por outras queixas
cardiovasculares, como pressão alta de difícil controle ou palpitações
frequentes.
QUEM TEM MAIS RISCO DE DESENVOLVER APNEIA DO SONO?
Alguns fatores aumentam significativamente a probabilidade de
desenvolver apneia obstrutiva do sono:
●
Sobrepeso
ou obesidade, especialmente com acúmulo de gordura na região do pescoço
●
Pescoço
com circunferência aumentada, acima de 40 cm em mulheres e 43 cm em homens
●
Sexo
masculino, embora mulheres após a menopausa também tenham risco elevado
●
Idade
acima de 40 anos
●
Histórico
familiar de apneia do sono
●
Tabagismo
ativo, que aumenta a inflamação e o edema das vias aéreas
●
Consumo
de álcool, especialmente próximo ao horário de dormir
●
Uso
de sedativos ou relaxantes musculares
● Alterações anatômicas como desvio de
septo, amígdalas aumentadas ou mandíbula recuada
A combinação de obesidade, tabagismo e apneia do sono forma
um dos cenários de maior risco cardiovascular que existe, razão pela qual o
cardiologista tem papel central no diagnóstico e tratamento dessa condição.
QUANDO PROCURAR UM CARDIOLOGISTA POR SUSPEITA DE APNEIA DO
SONO?
A avaliação cardiológica é especialmente indicada quando:
●
O
ronco é alto e frequente, com relato de pausas na respiração
●
O
cansaço diurno persiste mesmo com horas suficientes de sono
●
A
pressão arterial está elevada, especialmente se resistente ao tratamento
●
Há
palpitações frequentes ou episódios de coração acelerado durante a noite
●
Existe
histórico de infarto, AVC ou arritmia cardíaca
●
O
paciente tem obesidade, especialmente com pescoço espesso
● Há múltiplos fatores de risco
cardiovascular presentes simultaneamente
Para pacientes em Rondonópolis e região, a avaliação
cardiológica completa inclui a investigação da apneia do sono como parte do
rastreamento de risco cardiovascular, especialmente em pacientes com
hipertensão de difícil controle ou com perfil de risco elevado.
PERGUNTAS FREQUENTES
1. Como é feito o diagnóstico de apneia do sono?
O exame padrão para
diagnóstico é a polissonografia, que monitora a respiração, os níveis de
oxigênio, o ritmo cardíaco e os padrões de sono durante uma noite inteira.
Existem versões domiciliares do exame que podem ser indicadas em casos
selecionados pelo médico.
2. A apneia do sono tem cura?
Em alguns casos sim,
especialmente quando está diretamente relacionada à obesidade. O emagrecimento
pode resolver ou reduzir significativamente a apneia. Em outros casos, o
tratamento com dispositivos como o CPAP controla a condição de forma muito
eficaz, protegendo o coração mesmo sem cura definitiva.
3. Criança pode ter apneia do sono?
Sim. A apneia
infantil tem causas geralmente diferentes da adulta, como amígdalas aumentadas,
e se manifesta com ronco, respiração pela boca e agitação durante o sono. Deve
ser investigada e tratada, pois também tem impacto sobre o desenvolvimento e a
saúde cardiovascular.
4. O CPAP é a única opção de tratamento?
Não. Além do CPAP,
existem dispositivos intraorais que reposiciona a mandíbula durante o sono,
tratamentos cirúrgicos para casos específicos e, quando indicado, o
emagrecimento como abordagem principal. O cardiologista e outros especialistas
definem a melhor opção para cada caso.
5. A apneia do sono leve também precisa de tratamento?
Depende. Apneia leve
sem sintomas significativos e sem fatores de risco cardiovascular pode ser
manejada com mudanças no estilo de vida. Já apneia leve em pacientes com
pressão alta, arritmia ou histórico cardíaco geralmente indica tratamento
ativo, pois o risco cardiovascular adicional justifica a intervenção.
CONCLUSÃO
Roncar alto e acordar cansado todos os dias não é apenas um
incômodo. É um sinal de que o corpo, e especialmente o coração, está sendo
sobrecarregado durante o sono.
A apneia do sono é uma condição tratável, com opções eficazes
disponíveis para a maioria dos pacientes. O diagnóstico precoce faz toda a
diferença, não apenas na qualidade do sono, mas na proteção do coração contra
pressão alta, arritmias e infarto.
Se você ou alguém próximo apresenta ronco alto, pausas na
respiração durante a noite ou cansaço persistente durante o dia, a avaliação
cardiológica é o próximo passo mais importante. Para quem vive em Rondonópolis
e região, esse diagnóstico pode ser o que falta para proteger o coração de um
risco que acontece todas as noites, em silêncio.
Revisão médica: Dr. Renato Costa Jr. — Cardiologista | CRM
6585 | RQE 2485123
As informações
deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica.


