COMO O EXCESSO DE PESO AUMENTA O RISCO DE INFARTO?
O infarto do miocárdio acontece quando uma artéria coronária,
responsável por levar sangue ao coração, fica obstruída. Essa obstrução é quase
sempre resultado de um processo chamado aterosclerose, que é o acúmulo
progressivo de placas de gordura nas paredes das artérias.
A obesidade acelera esse processo de várias formas ao mesmo
tempo. O excesso de gordura corporal, especialmente a visceral, gera inflamação
crônica no organismo, altera o perfil lipídico, eleva a pressão arterial e
favorece a resistência à insulina. Cada um desses fatores, isoladamente, já
aumenta o risco cardiovascular. Juntos, formam um ambiente altamente propício
para o infarto.
Na prática clínica em Rondonópolis, é frequente atender
pacientes com obesidade que apresentam dois, três ou mais fatores de risco
cardiovascular simultaneamente, sem saber que estão em uma situação de alto
risco.
O excesso de peso também costuma estar associado a outros
fatores de risco cardiovascular, como sedentarismo, apneia do sono e tabagismo,
que juntos aumentam ainda mais a probabilidade de um evento cardíaco.
OBESIDADE E ATEROSCLEROSE: O ENTUPIMENTO SILENCIOSO DAS
ARTÉRIAS
A aterosclerose é um processo lento e silencioso. Durante
anos, pequenas quantidades de gordura, colesterol e outras substâncias se
depositam nas paredes internas das artérias, formando as chamadas placas
ateroscleróticas.
Com o tempo, essas placas crescem, endurecem as artérias e
reduzem o fluxo de sangue para o coração. Quando uma placa se rompe, o
organismo reage formando um coágulo no local, que pode bloquear completamente a
artéria e causar o infarto.
A obesidade acelera esse processo porque aumenta os níveis de
LDL, o colesterol ruim, reduz o HDL, o colesterol bom, e promove inflamação
constante nas paredes das artérias. Esse triplo impacto faz com que as placas
se formam mais rapidamente e se tornam mais instáveis.
Esse processo é o mesmo que aumenta significativamente o
risco de infarto em fumantes ao longo dos anos.
POR QUE QUEM TEM OBESIDADE TENDE A TER PRESSÃO ALTA?
A pressão alta é um dos principais fatores de risco para o
infarto, e a obesidade é uma das causas mais comuns de hipertensão arterial. Os
dois problemas caminham juntos com muita frequência.
O excesso de peso acaba obrigando o coração a trabalhar com
mais força para bombear sangue por todo o corpo. Além disso, a gordura visceral
interfere no funcionamento dos rins e no sistema hormonal que regula a pressão,
levando ao aumento persistente dos valores pressóricos.
O problema é que a pressão alta raramente causa sintomas
evidentes. Muitos pacientes descobrem a hipertensão apenas quando já estão em
avaliação por outra condição. Por isso, medir a pressão regularmente é
essencial para quem tem excesso de peso.
COLESTEROL E TRIGLICERÍDEOS: COMO A GORDURA CORPORAL ALTERA
OS EXAMES?
O perfil lipídico de pessoas com obesidade costuma apresentar
alterações características: LDL elevado, HDL reduzido e triglicerídeos acima
dos valores ideais. Essa combinação é especialmente perigosa para as artérias
coronárias.
Os triglicerídeos elevados, frequentemente associados ao
consumo excessivo de carboidratos e à resistência à insulina, contribuem para a
formação de partículas de LDL menores e mais densas, que penetram mais
facilmente nas paredes das artérias e formam placas com maior facilidade.
A avaliação do perfil lipídico completo faz parte de qualquer
check-up cardiológico para pacientes com obesidade. Alterações nesses exames,
mesmo sem sintomas, já indicam a necessidade de intervenção.
OBESIDADE E INFARTO EM JOVENS: UM RISCO QUE NÃO PODE SER
IGNORADO
O infarto costuma ser associado a pessoas mais velhas, mas a
obesidade muda esse cenário. É cada vez mais comum observar eventos
cardiovasculares em adultos jovens, entre 30 e 45 anos, com histórico de
obesidade de longa data.
Nesses casos, o processo de aterosclerose teve tempo
suficiente para se desenvolver, especialmente quando a obesidade foi
acompanhada de outros fatores de risco como tabagismo, pressão alta ou
diabetes. A ausência de sintomas prévios não significa ausência de risco.
Para jovens com obesidade, o acompanhamento cardiológico
preventivo não é exagero. É exatamente o que pode evitar que o primeiro evento
cardiovascular seja também o mais grave.
QUANDO PROCURAR UM CARDIOLOGISTA SE VOCÊ TEM EXCESSO DE PESO?
A avaliação com cardiologista é indicada nas seguintes
situações:
●
Obesidade
ou sobrepeso com gordura abdominal concentrada
●
Pressão
alta diagnosticada ou valores frequentemente elevados
●
Colesterol
ou triglicerídeos alterados nos exames de rotina
●
Histórico
familiar de infarto, AVC ou morte súbita
●
Diabetes
tipo 2 ou resistência à insulina diagnosticada
●
Tabagismo
ativo associado ao excesso de peso
●
Ronco
intenso ou suspeita de apneia do sono
● Intenção de iniciar programa de
emagrecimento com segurança cardiovascular
Para pacientes em Rondonópolis e região, a avaliação
cardiológica completa permite mapear o risco individual, identificar alterações
precoces e orientar o tratamento mais adequado para cada caso.
Além de avaliar o coração, o cardiologista também pode ajudar
no processo de parar de fumar com tratamento médico adequado.
PERGUNTAS FREQUENTES
1. Qual é o índice de massa corpórea (IMC) considerado de
risco para o coração?
A partir do IMC
acima de 30, classificado como obesidade, o risco cardiovascular já é
considerado elevado. No entanto, mesmo pessoas com sobrepeso moderado, IMC
entre 25 e 30, podem ter risco aumentado se houver gordura abdominal
concentrada ou outros fatores associados.
2. Emagrecer reduz o risco de infarto?
Sim, de forma
expressiva. A perda de peso melhora o colesterol, reduz a pressão arterial,
diminui a inflamação nas artérias e alivia a sobrecarga do coração. Mesmo uma
redução moderada de peso já produz benefícios cardiovasculares mensuráveis.
3. Uma pessoa jovem com obesidade pode ter infarto?
Sim. A obesidade
acelera o processo de aterosclerose independentemente da idade. Adultos jovens
com obesidade, especialmente quando associada a outros fatores de risco, têm
risco real de infarto.
4. Qual exame o cardiologista pede para avaliar o risco em
quem tem obesidade?
Os principais são:
perfil lipídico completo, glicemia e hemoglobina glicada, eletrocardiograma,
ecocardiograma e, em alguns casos, teste ergométrico e score de cálcio
coronário. A escolha dos exames é feita de forma individualizada pelo médico.
5. Dá para tratar obesidade e risco cardíaco ao mesmo tempo?
Sim, e essa é
exatamente a abordagem mais eficaz. O cardiologista avalia o risco
cardiovascular e conduz o processo de emagrecimento de forma segura, integrando
os dois tratamentos em um único acompanhamento.
CONCLUSÃO
O excesso de peso não é apenas um fator estético. É uma
condição que compromete as artérias, sobrecarrega o coração e aumenta de forma
real o risco de infarto, muitas vezes sem avisar.
A boa notícia é que esse risco pode ser revertido. Emagrecer
com acompanhamento médico adequado, controlar a pressão, o colesterol e outros
fatores associados são medidas que protegem o coração de forma concreta e
duradoura. Para quem vive em Rondonópolis e região, contar com um cardiologista
para conduzir esse processo é o caminho mais seguro para cuidar do coração com
a seriedade que ele merece.
Revisão médica: Dr. Renato Costa Jr. — Cardiologista | CRM
6585 | RQE 2485123
As informações
deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica.


