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Apneia do Sono e Infarto: Entenda a Relação com o Risco Cardiovascular

Apneia do Sono e Infarto: Entenda a Relação com o Risco Cardiovascular

Apneia do Sono e Infarto: Entenda a Relação com o Risco Cardiovascular

Dormir mal pode estar matando o coração, e muitas pessoas nem sabem disso. A apneia obstrutiva do sono é uma condição em que a respiração para repetidamente durante o sono, às vezes centenas de vezes por noite. Cada pausa respiratória provoca uma queda de oxigênio no sangue, uma ativação do sistema de alerta do organismo e um pico de pressão arterial. Repetido noite após noite, esse ciclo causa um estresse cardiovascular silencioso e progressivo que aumenta de forma significativa o risco de infarto, arritmias, hipertensão resistente e outras doenças cardiovasculares graves.

O problema é que a maioria dos pacientes com apneia não sabe que tem a condição. Ronco intenso e cansaço durante o dia são os sinais mais reconhecíveis, mas frequentemente normalizados. Veja quando ronco e cansaço durante o dia podem ser sinal de apneia do sono.

O Que É Apneia do Sono e Por Que Ela Afeta o Coração

A apneia obstrutiva do sono ocorre quando os músculos da garganta relaxam excessivamente durante o sono e obstruem a passagem do ar. A respiração para por 10 segundos ou mais, o oxigênio no sangue cai, o cérebro detecta o problema e aciona o organismo para retomar a respiração. Esse processo acontece repetidamente durante a noite, interrompendo os ciclos normais de sono e gerando uma série de respostas fisiológicas prejudiciais ao coração.

Cada episódio de apneia é acompanhado de ativação intensa do sistema nervoso simpático, o mesmo sistema ativado em situações de estresse agudo. Essa ativação provoca elevação da pressão arterial, aceleração da frequência cardíaca e liberação de hormônios de estresse como adrenalina e cortisol. Em pessoas sem doença cardiovascular, o organismo tolera essas oscilações. Em quem já tem artérias comprometidas, hipertensão ou função cardíaca reduzida, cada episódio representa uma sobrecarga que vai se acumulando com o tempo.

Como a Apneia Aumenta o Risco de Infarto

O mecanismo pelo qual a apneia eleva o risco de infarto envolve múltiplas vias simultâneas. A hipóxia intermitente, ou seja, as quedas repetidas de oxigênio durante o sono, provoca inflamação vascular sistêmica, disfunção do endotélio e aumento do estresse oxidativo, todos fatores que aceleram a progressão da aterosclerose e aumentam a vulnerabilidade das placas coronárias à ruptura.

A ativação noturna repetida do sistema simpático eleva a pressão arterial de forma crônica, especialmente durante o sono, período em que a pressão deveria naturalmente cair. Pacientes com apneia frequentemente apresentam o chamado padrão “non-dipper”, no qual a pressão não sofre a queda noturna esperada. Essa alteração está associada a maior risco cardiovascular e é investigada pelo MAPA, o monitoramento ambulatorial da pressão arterial realizado ao longo de 24 horas. Saiba para que serve o MAPA na avaliação cardiovascular.

A hipóxia também aumenta a ativação plaquetária e a tendência à coagulação, criando um ambiente favorável à formação de trombos nas coronárias. Em conjunto, esses mecanismos explicam por que estudos mostram que pacientes com apneia grave não tratada têm risco significativamente maior de infarto do miocárdio. Veja o que a ciência diz sobre apneia do sono e risco de infarto.

Apneia e Hipertensão: Uma Relação Direta

A relação entre apneia do sono e hipertensão arterial é uma das mais bem estabelecidas na cardiologia. A apneia é reconhecida como uma das principais causas de hipertensão resistente, aquela que não responde adequadamente ao tratamento com dois ou três medicamentos.

Na prática clínica, quando um paciente hipertenso não consegue controlar a pressão apesar do uso correto das medicações, a investigação para apneia do sono entra obrigatoriamente na lista de hipóteses. O tratamento eficaz da apneia com CPAP, o dispositivo de pressão positiva que mantém as vias aéreas abertas durante o sono, frequentemente resulta em melhora da pressão arterial, em alguns casos permitindo até a redução das doses de medicamentos anti-hipertensivos. Entenda a relação entre apneia do sono e pressão alta.

Quem Tem Mais Risco de Ter Apneia

Alguns fatores aumentam a probabilidade de apneia obstrutiva do sono. O excesso de peso, especialmente o acúmulo de gordura na região do pescoço e da faringe, é o fator de risco mais importante. Estima-se que a grande maioria dos pacientes com apneia grave tem sobrepeso ou obesidade. Veja como a obesidade afeta o coração e aumenta o risco cardiovascular.

Homens têm maior prevalência de apneia do que mulheres, embora essa diferença diminua após a menopausa. Idade avançada, consumo de álcool, uso de sedativos e alterações anatômicas como mandíbula retraída ou amígdalas aumentadas também contribuem para o risco.

Diabetes mellitus é outro fator relevante, tanto porque a neuropatia autonômica pode interferir no controle da musculatura da faringe quanto porque obesidade e diabetes frequentemente coexistem. Saiba como o diabetes afeta o risco cardiovascular.

Como a Apneia É Diagnosticada

O diagnóstico da apneia do sono é feito pela polissonografia, exame que monitora respiração, saturação de oxigênio, frequência cardíaca, movimento dos membros e estágios do sono ao longo de uma noite. A polissonografia pode ser realizada em laboratório de sono ou por meio de dispositivos portáteis utilizados em casa, com indicação definida pelo médico.

O índice de apneia-hipopneia (IAH) obtido no exame classifica a gravidade: leve (5 a 14 eventos por hora), moderada (15 a 29) ou grave (30 ou mais). Do ponto de vista cardiovascular, é especialmente importante identificar e tratar os casos moderados e graves, que apresentam maior impacto sobre a pressão arterial e o risco de eventos isquêmicos.

Tratamento da Apneia e Benefício Cardiovascular

O tratamento mais eficaz para a apneia obstrutiva do sono de grau moderado a grave é o CPAP. O dispositivo mantém uma pressão positiva constante nas vias aéreas durante o sono, impedindo o colapso da faringe e eliminando os episódios de apneia.

Os benefícios cardiovasculares do tratamento adequado da apneia incluem redução da pressão arterial noturna, melhora da função endotelial, redução da ativação simpática e diminuição dos marcadores inflamatórios. Em pacientes com hipertensão resistente, o tratamento da apneia pode ser o elemento que finalmente permite o controle pressórico. A perda de peso, quando indicada, pode reduzir a gravidade da apneia de forma significativa e, em casos selecionados, até resolver o quadro. Veja como emagrecer com segurança com acompanhamento cardiológico.

Perguntas Frequentes

1. Todo mundo que ronca tem apneia?
Não. O ronco é um sinal de alerta, mas nem todo roncador tem apneia. A apneia se confirma pela presença de pausas na respiração e queda de oxigênio, detectadas na polissonografia. Porém, ronco intenso associado a cansaço diurno, acordar com sensação de sufocamento ou boca seca justifica investigação.

2. Apneia leve também precisa de tratamento cardiológico?
A apneia leve isolada, sem outros fatores de risco cardiovascular, pode ser manejada inicialmente com medidas comportamentais como perda de peso, mudança de posição ao dormir e restrição de álcool. Em pacientes com apneia leve e hipertensão, diabetes ou doença coronariana, o tratamento mais ativo é geralmente indicado.

3. O CPAP cura a apneia?
O CPAP controla a apneia enquanto é utilizado, mas não cura a condição. Se o uso for interrompido, os episódios voltam. Por isso, o tratamento é contínuo. A perda de peso substancial é a medida que tem maior potencial de reduzir ou eliminar a necessidade do dispositivo em pacientes com obesidade.

4. Apneia pode causar arritmia?
Sim. A hipóxia intermitente e a ativação simpática noturna associadas à apneia estão relacionadas ao desenvolvimento de arritmias, especialmente fibrilação atrial. Pacientes com fibrilação atrial recorrente que não respondem bem ao tratamento devem ser investigados para apneia do sono.

Conclusão

A apneia do sono é muito mais do que um problema de ronco ou de qualidade do sono. É um fator de risco cardiovascular independente e modificável, com impacto direto sobre a pressão arterial, o risco de infarto e o desenvolvimento de arritmias. Identificar e tratar a apneia faz parte de uma abordagem cardiológica completa, especialmente em pacientes com hipertensão resistente, obesidade, diabetes ou histórico de eventos cardiovasculares.

O coração trabalha enquanto dormimos. Garantir que esse período de descanso não seja, na verdade, uma fonte de sobrecarga cardiovascular é parte essencial do cuidado com a saúde do coração.

Ronco intenso, sono não reparador, cansaço durante o dia e pressão alta difícil de controlar merecem investigação, e você pode falar com a equipe do Dr. Renato Costa Junior para receber orientações sobre avaliação cardiológica e risco cardiovascular associado à apneia. 

Revisão médica: Dr. Renato Costa Jr. — Cardiologista e Ecocardiografista – CRM 6585 | RQE 2485/123 | 

As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica.

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